A Europa é um continente de importância estratégica para a defesa e a geopolítica mundial. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) continua sendo a aliança militar mais relevante do Ocidente, com capacidades nucleares e convencionais que garantem a segurança coletiva de seus membros. As recentes tensões com a Rússia, a guerra na Ucrânia e o aumento dos gastos militares dos países europeus reacenderam o debate sobre a autonomia estratégica do continente. A presença de forças dos Estados Unidos na Europa, por meio de bases e exercícios conjuntos, reforça o compromisso da aliança com a defesa do território europeu.

Paralelamente, a União Europeia tem avançado em projetos de cooperação em defesa, como a Pesquisa Europeia de Defesa e o Fundo Europeu de Defesa, visando reduzir a dependência tecnológica dos Estados Unidos. Países como França, Alemanha e Reino Unido mantêm forças armadas modernas, com destaque para a aviação de caça, blindados e forças navais. O desenvolvimento de sistemas de armas como o Eurofighter Typhoon, o avião de transporte A400M e o caça furtivo britânico Tempest ilustram a capacidade industrial do continente. A França, com sua doutrina nuclear independente, e o Reino Unido, com suas forças de projeção global, continuam a ser atores centrais na segurança europeia.

No leste europeu, a presença militar da OTAN nos países bálticos e na Polônia reflete a preocupação com a revisão do poder russo. A Suécia e a Finlândia, historicamente neutras, solicitaram adesão à aliança, alterando o equilíbrio de segurança no norte da Europa. Enquanto isso, os Bálcãs continuam a ser uma região de instabilidade, com a presença de forças de paz e tensões étnicas. A guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, redefiniu a arquitetura de segurança europeia, com consequências para o rearmamento e a postura defensiva dos países membros.

A segurança marítima é outro pilar importante para a Europa. O Mediterrâneo, o Mar do Norte e o Atlântico são áreas de projeção de poder e disputas comerciais. As marinhas europeias mantêm capacidades de porta-aviões, submarinos e fragatas modernas. A França e o Reino Unido possuem porta-aviões de propulsão nuclear e convencional, e a Itália e a Espanha também têm papel ativo na defesa naval. O controle de rotas marítimas e a luta contra a pirataria são missões constantes das forças navais europeias. Para o Brasil, a parceria com a Marinha francesa no desenvolvimento de submarinos convencionais e nucleares exemplifica a troca de tecnologia no setor de defesa.

Para o Brasil, o cenário europeu tem relevância indireta, mas importante. As relações com países europeus no âmbito de acordos de defesa, como o acordo Brasil-França para a compra de helicópteros e submarinos (PROSUB), demonstram a influência da indústria de defesa europeia no reequipamento das Forças Armadas brasileiras. Além disso, a doutrina militar europeia e os conceitos de guerra híbrida e defesa cibernética são estudados pelos estrategistas brasileiros. Parcerias em projetos de defesa, como o desenvolvimento do KC-390 com a Embraer e a colaboração com a Força Aérea dos EUA, também mostram a interoperabilidade com as forças europeias.

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