Em meio à escalada do conflito no Afeganistão, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, anunciou uma nova fase de operações militares direcionadas contra grupos militantes localizados nas regiões tribais do Paquistão. A declaração, feita em uma coletiva de imprensa em Washington, reafirmou a determinação americana em atacar o que chamou de "refúgios seguros" utilizados pelo Taliban afegão e pela rede Haqqani para planejar e executar ataques contra as forças da coalizão internacional.

As regiões tribais do Paquistão, como o Waziristão do Norte e do Sul, há muito são consideradas um santuário para diversos grupos extremistas. A falta de controle efetivo do governo paquistanês sobre essas áreas de difícil acesso, combinada com acusações de duplicidade por parte de setores da inteligência paquistanesa, gerou uma crescente frustração em Washington. Os ataques, realizados principalmente por meio de aeronaves não tripuladas (drones) Predator e Reaper armados com mísseis Hellfire, visavam interromper as linhas de comunicação e suprimento dos insurgentes.

A estratégia de Gates representou uma intensificação significativa da campanha de ataques aéreos, que começou de forma mais tímida durante o governo Bush. A justificativa legal apresentada foi o direito à autodefesa, argumentando que o Paquistão não conseguia ou não queria eliminar a ameaça representada pelos grupos militantes em seu território. No entanto, a política gerou forte controvérsia. O governo paquistanês protestou formalmente, classificando as incursões como violações flagrantes de sua soberania nacional e do direito internacional.

A opinião pública paquistanesa era amplamente contrária aos ataques, vistos como uma humilhação nacional e uma prova da subserviência do governo de Islamabad. As consequências foram complexas: se por um lado os ataques eliminaram vários líderes importantes do Taliban e da Al-Qaeda, por outro, o alto número de baixas civis alimentou o sentimento antiamericano e desestabilizou ainda mais o frágil governo paquistanês. A era Gates neste aspecto é lembrada como um período de endurecimento da estratégia americana, priorizando ações unilaterais em detrimento da diplomacia, um legado que continuaria a gerar debate sobre a eficácia e as consequências éticas da guerra de drones no cenário geopolítico do Sul da Ásia.