A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) autorizou os seus comandantes militares no Afeganistão a planejar e executar operações terrestres e aéreas contra o tráfico de drogas no país. A decisão representa uma escalada significativa no envolvimento da aliança no combate ao narcotráfico, que até então era tratado como uma responsabilidade exclusiva das forças de segurança afegãs.

O Afeganistão é responsável por mais de 90% da produção mundial de ópio, e o narcotráfico financia grande parte das atividades do Talibã e de outros grupos insurgentes. A autorização da OTAN permite que as tropas da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) ataquem diretamente laboratórios de processamento de drogas e traficantes identificados, um passo que os Estados Unidos vinham pressionando há meses.

Segundo fontes da aliança, a medida visa cortar o fluxo de recursos que abastece a insurgência. O dinheiro do tráfico de drogas está matando soldados da OTAN e civis afegãos, declarou um porta-voz. A partir de agora, comboios de drogas e instalações de processamento tornam-se alvos legítimos para ataques aéreos e operações especiais.

Críticos da decisão alertam que a medida pode ter consequências não intencionais. Muitos agricultores afegãos dependem do cultivo da papoula para sobreviver, e ataques a laboratórios podem destruir meios de subsistência, alimentando o ressentimento contra as forças internacionais. Organizações humanitárias também expressaram preocupação com o impacto sobre a população civil.

Analistas militares apontam que a decisão da OTAN insere-se num contexto mais amplo de revisão da estratégia no Afeganistão, que busca combater a insurgência de forma mais eficaz, mirando suas fontes de financiamento. A eficácia da medida dependerá da capacidade de distinguir alvos legítimos e de oferecer alternativas econômicas aos agricultores locais.

A decisão marca um ponto de inflexão na guerra do Afeganistão, ao reconhecer que o combate militar não pode ser dissociado do combate às estruturas econômicas da insurgência. Resta saber se os meios militares serão suficientes para resolver um problema que é também profundamente social e econômico.