O Pentágono tem manifestado crescente preocupação com o acelerado processo de modernização militar da China. Relatórios do Departamento de Defesa dos Estados Unidos apontam que Pequim investe pesadamente em tecnologias avançadas, incluindo mísseis hipersônicos, sistemas antissatélite, capacidade de projeção naval e guerra cibernética. O fortalecimento do Exército Popular de Libertação (EPL) altera o equilíbrio de forças na Ásia-Pacífico e gera apreensão entre os aliados regionais dos Estados Unidos.
Entre os setores que mais preocupam os estrategistas americanos estão a expansão da marinha chinesa, com a construção de porta-aviões e contratorpedeiros modernos, e o desenvolvimento de caças de quinta geração, como o J-20. A China também avança na criação de satélites militares e na capacidade de negação de área (A2/AD), dificultando o acesso de forças adversárias ao seu entorno estratégico. O orçamento militar chinês, que cresce anualmente em patamares elevados, já supera o de várias potências combinadas, evidenciando a determinação de Pequim em se consolidar como potência militar global.
Em resposta, os Estados Unidos têm reforçado sua presença no Indo-Pacífico, fortalecendo alianças com Japão, Austrália e Filipinas, e promovendo exercícios conjuntos de grande escala. O conceito de "dissuasão integrada" adotado pelo Pentágono busca combinar capacidades convencionais, nucleares, espaciais e de informação para conter o avanço chinês sem escalar para um conflito direto. A disputa tecnológica entre as duas potências também se intensifica, com investimentos maciços em inteligência artificial, hipersônica e defesa antimísseis.
Para o Brasil e demais países da América do Sul, a rivalidade estratégica entre EUA e China impõe desafios e oportunidades. A China é um parceiro comercial fundamental, mas sua aproximação militar com países da região, como Venezuela e Argentina, merece acompanhamento atento. A modernização das Forças Armadas brasileiras, incluindo a proteção da Amazônia e da plataforma continental, ganha ainda mais relevância nesse contexto geopolítico. O Brasil precisa manter-se informado e preparado para navegar em um cenário internacional cada vez mais competitivo, onde o poder militar desempenha papel central.