Recentemente, os Estados Unidos firmaram um acordo que vai permitir a instalação de quatro bases militares na Romênia. A decisão aumentou o nível de tensão com a Rússia que vê na manobra uma forma dos Estados Unidos se acercarem cada vez mais à fronteira russa. Decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin confirma a moratória russa ao Tratado de Redução das Forças Convencionais na Europa (CFE) por razões de segurança.

 

Assinado em novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, o CFE passou a vigorar dois anos depois e pretendia limitar os tipos de armas ofensivas nos territórios dos países membros das duas organizações. Pelo acordo, as armas ofensivas ficariam restritas aos carros de combate, viaturas blindadas de transporte de pessoal, artilharia, caças de combate e helicópteros de ataque. No entanto, em 1999, o tratado foi adaptado à nova realidade européia e à extinção da União Soviética.

 

Apenas quatro países o ratificaram: Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia e Cazaquistão. O decreto assinado por Putin diz que a Rússia estabelece a moratória sobre o cumprimento da CFE "até que os estados membros da OTAN ratifiquem o acordo na adaptação e comecem cumprindo-o por boa-fé".

 

O documento explica que os países que ingressaram na OTAN recentemente não aceitam as mudanças. Além disso, os planos dos Estados Unidos para desdobrar suas forças convencionais na Bulgária e na Romênia "afetam" o senso de limitação do grupo do CFE e indica que alguns países não cumpriram com suas obrigações políticas quanto à rápida ratificação do tratado adaptado.

 

Também recentemente, o conselho Rússia-OTAN se reuniu para discutir a ratificação do tratado adaptado em conformidade com as reivindicações russas e os acordos de Istambul. O objetivo principal era reduzir significativamente os potenciais militares das duas alianças estratégicas que se confrontaram durante a guerra fria, tanto quanto assegurar "um grau elevado de transparência" de atividades militares.

 

Desde a adoção do CFE, seus membros realizaram mais de  cinco mil inspeções. O tratado decidiu cortar forças convencionais na Europa em 59 mil partes (tanques, veículos de combate armados, artilharia, aviões e helicópteros) em cada lado.

 

A Rússia foi quem mais reduziu suas forças tanto no conjunto como unilateralmente. Analistas avaliam que as mudanças radicais da paisagem militar e política européia no início da década de 1990 resultaram no desequilíbrio das forças, desfavorável à Rússia.

 

Após a dissolução do Pacto de Varsóvia, a ruptura da União Soviética e a expansão da OTAN após o ano 2000, o CFE perdeu seus pontos iniciais de controle. Das duas alianças militares, restou apenas a OTAN que acabou atraindo antigos integrantes do Pacto de Varsóvia.

 

Isto significa que a quantidade real de veículos do combate em algumas zonas do CFE é três vezes maior do que na Rússia. Até 1º de janeiro de 2006, a Rússia teve 4.999 tanques contra os 14.693 da OTAN. Teve ainda 9.653 veículos de combate armados contra 27.225 e 5.930 partes de artilharia contra 16.627.

 

É clara a desvantagem que a Rússia enfrenta diante da ampliação da OTAN. Os comandantes militares russos não podem distribuir livremente suas tropas em seu próprio país, mesmo se houver a chamada mudança militar e política.

 

Os Estados Unidos, entretanto, estão ajustando-se, acima das bases militares na Bulgária e na România, bem próximas à fronteira russa, o que contradiz claramente o compromisso de não postar "as forças substanciais de combate", de acordo com os termos da cooperação e segurança mútua firmado entre a OTAN e a Federação Russa em maio de 1997.

 

Washington não esconde seus planos para aumentar suas tropas em cada país, colocando pelo menos cinco mil homens prontos para agir no Cáucaso. Tais objetivos já foram denunciados pela Rússia, mas nada foi feito.

 

Os russos queixam-se ainda que os Estados Unidos e a OTAN continuam tentando ensinar-lhes como conduzir sua política da segurança. Os documentos finais das reuniões da OTAN em níveis diferentes incluem regularmente "chamadas," "lembretes," e "recomendações", todas endereçadas à Rússia.

 

A Rússia também tem reafirmado que os estados membros da OTAN planejam desdobrar os elementos da defesa de mísseis na República Tcheca e na Polônia, o que cria perigos reais para o país. Pelo que se percebe, a boa vontade  russa foi esgotada e se não houver formas de se restaurar o equilíbrio das forças, a Rússia deverá mesmo abandonar o CFE.

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Última Atualização ( 24 de setembro de 2008 )