P�gina Inicial 06 de dezembro de 2009

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Robert Gates anuncia ataques ao Paquist�o

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O Secretário de Defesa dos Estados Unidos Robert Gates disse, durante seu discurso diante da Comissão de Serviços Armados do Senado, que uma vitória sobre o terrorismo no Afeganistão era impossível enquanto os guerrilheiros do Talibã e da al-Qaida estivessem enscondendo-se em suas bases no Paquistão. "Até que a insurgência seja privada de portos seguros, insegurança e violência persistirão," disse Gates., segundo Agência AP. A autoridade instou a administração dos Estados Unidos a pressionar os governos do Afeganistão e Paquistão para que cooperem com o fortalecimento do controle nas fronteiras dos dois estados tornando-as menos transitáveis por terroristas. O chefe do Pentágono espera que as relações entre Washington e Islamabad no campo da cooperação de defesa se aperfeiçoem. O Presidente paquistanês Asif Ali Zardari declarou, em seu recente discurso no parlamento nacional, que não permitirá incursão militar estrangeira no país. "Tropas estadunidenses estão vindo, sem dar-nos conhecimento, sem a permissão do Paquistão, estão violando a carta das Nações Unidas," disse Zardari à NBC News em Islamabad na segunda-feira, antes de viajar para New York para participar da Assembléia Geral da ONU e encontrar-se com o Presidente Bush. O presidente acrescentou que nenhum país estrangeiro terá permissão para violar a soberania do Paquistão a pretexto de lutar contra o terrorismo. O presidente não nomeou os destinatários de tais advertências, embora estivesse claro tratar-se de um desafio a Washington . Tropas dos Estados Unidos cruzaram a fronteira entre Paquistão e Afeganistão diversas vezes durante o mês passado. O Pentágono obteve permissão da Casa Branca para conduzir operações de travessia de fronteira sem permissão do governo do Paquistão. Há diversos dias, os militares do Paquistão abriram fogo contra helicópteros dos Estados Unidos que voavam a partir do Afeganistão e fizeram-nos retroceder.

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EUA montam radar em Israel para detectar m�sseis iranianos

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O Exército dos Estados Unidos instalou na semana passada em um base militar do deserto israelense do Neguev um sistema de radares de alerta destinado a detectar um eventual lançamento de mísseis a partir do Irã, informam neste domingo os meios de imprensa locais.

 O radar, que ainda não está em operação, dará ao Estado judeu alguns minutos extras com relação ao atual sistema de detecção para responder a um ataque do Irã com mísseis "terra-terra", diz o jornal "Ha'aretz".

O aparelho funcionará com dados captados por satélites americanos e será vinculado ao sistema de foguetes Arrow de defesa antimísseis, o que permitiria tentar frear o ataque.

O funcionamento do radar implicará na primeira presença com caráter permanente de pessoal de Exército americano em Israel, hoje concretamente uma equipe de 120 pessoas. O material foi transportado por uma dúzia de aviões militares à base da força aérea israelense em Nevatim.

Trata-se do mesmo sistema desdobrado há dois anos no Japão, outro grande aliado dos EUA, para prevenir ataques norte-coreanos com mísseis.

Efe

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R�ssia: novo sistema de defesa nuclear

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Plano inclui defesa aeroespacial e submarinos; para Moscou, escudo antimísseis dos EUA é uma ameaça


O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou planos para construir um sistema de defesa nuclear mais moderno que deverá iniciar suas operações em 2020 e incluir um sistema de defesa aeroespacial e novos submarinos nucleares - equipados com mísseis. O presidente russo quer que os comandantes militares do país submetam seus planos ao governo até dezembro.

"Temos que garantir a defesa nuclear sob várias condições políticas e nucleares até 2020", disse Medvedev a comandantes militares. O anúncio é realizado semanas depois de a Rússia acusar os Estados Unidos de iniciar uma nova corrida armamentista ao anunciar os planos de instalar um escudo de defesa antimísseis na Europa Oriental.

O governo russo acusou Washington de usar o escudo para construir "um anel de aço" em volta da Rússia e prejudicar suas defesas nucleares.

Novos tipos

De acordo com a agência de notícias russa Itar-Tass, Medvedev afirmou que é preciso construir "novos tipos de armamentos" e "alcançar o domínio aeroespacial". "Planejamos iniciar a produção em série de navios de guerra - primeiramente submarinos nucleares, que levam mísseis de cruzeiro e submarinos multifuncionais", disse.

"Vamos desenvolver também um sistema de defesa aeroespacial", acrescentou. O governo da Rússia já criticou os Estados Unidos várias vezes devido aos planos americanos para implantação do escudo antimísseis, que usará foguetes baseados na Polônia e radares na República Checa.

A Rússia afirma que o plano americano desestabiliza o equilíbrio estratégico entre os dois países e que, por isso, seria "forçada a reagir."

Os Estados Unidos, por sua vez, afirmam que o sistema é um elemento-chave para sua segurança e para a segurança de seus aliados. O plano americano quer o sistema operando em 2012.

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Israel 'pediu sinal verde aos EUA para atacar Ir�'

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Uma reportagem do jornal britânico The Guardian afirma nesta sexta-feira que Israel pediu aos Estados Unidos "sinal verde" para bombardear o Irã – mas foi desencorajado pelo presidente americano, George W. Bush.

A reportagem, que credita a informação a fontes que trabalham para chefes de Estado europeus, sustenta que o tema foi assunto de uma reunião a portas fechadas entre Bush e o ex-primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em maio.

 

Um porta-voz de Olmert disse ao jornal que Israel prefere uma saída diplomática para a questão iraniana, e que as fontes atribuíram ao ex-premiê "palavras que não foram ditas em nenhuma reunião de trabalho com visitantes estrangeiros".

 

Os Estados Unidos evitaram comentar a reunião entre Olmert e Bush, acrescentando que priorizam a via diplomática.

 

Segundo o Guardian, o ataque seria direcionado às instalações nucleares iranianas, que Israel encara como uma ameaça. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já defendeu que o Estado judeu seja "riscado do mapa". Mas o Irã afirma que seu programa nuclear tem fim civil.

 

Bush teria dissuadido Olmert de realizar o ataque afirmando que o incidente teria grande possibilidade de escalar para uma guerra total, diz a reportagem.

 

Além disso, acrescenta o jornal, Bush teria lembrado que um ataque do aliado ao país islâmico possivelmente geraria retaliações a pessoal e instalações americanas ao redor do mundo – inclusive porque, para chegar ao Irã, a aviação israelense teria de sobrevoar o Iraque com o aval americano.

 

"A recusa de Bush em apoiar um ataque, e a forte sugestão de que não mudaria de idéia, pode pôr fim a especulações de que Washington estaria preparando uma 'surpresa de outubro' antes das eleições presidenciais americanas (de novembro)", escreve o repórter Jonathan Steele.

 

A reportagem lembrou que Olmert já havia considerado "insuficientes" as sanções contra o regime iraniano. A opinião seria compartilhada pelo seu vice, Shaul Mofaz.

 

Porém, na semana passada, Mofaz perdeu a votação para se tornar primeiro-ministro de seu país. "Tzipi Livni, que venceu, tem uma posição menos linha-dura (sobre o Irã)", afirma o Guardian. Mas o jornal deixa aberta a possibilidade de que um novo governo na Casa Branca e em Israel possa reviver a idéia.

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Última Atualiza��o ( 26 de setembro de 2008 )

Justi�a condena sargento gay a seis meses de pris�o

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Laci Araújo, que assumiu relação homossexual, pode recorrer em liberdade. Como já ficou preso 57 dias, pena de sargento pode ser reduzida.

A Justiça Militar condenou o sargento fo Exército Laci de Araújo, nesta quinta-feira (25), a seis meses de detenção pelo crime de deserção. Laci ficou conhecido nacionalmente após ter assumido um relacionamento homossexual com o ex-sargento Fernando Alcântara em uma entrevista à revista "Época".

 

De acordo com a juíza Zilah Maria Petersen, que presidiu o julgamento, Laci terá o direito de cumprir apenas um terço da pena por já ter ficado preso 57 dias e por ter bons antecedentes e também poderá recorrer da decisão em liberdade.

 

 

Araújo foi condenado por não ter se apresentado ao serviço, exatamente após a publicação da matéria em que ele revelou ser homossexual. O sargento havia alegado, na ocasião, que não se apresentou por motivos de saúde.

 

 

O ex-sargento Fernando Alcântara, companheiro de Laci, disse ao G1 que a decisão "foi dos males o menor". "Ele [Laci] vai poder recorrer em liberdade, por ser réu primário, ter bons antecedentes e endereço fixo", disse.

 

Segundo Alcântara, o resultado do julgamento já era esperado. "São militares do Exército, muito conservadores", disse. "Mas nós vamos recorrer", afirmou.

 

 

Laci e Alcântara comemoravam pelo menos a aceitação por uma junta médica do Exército do laudo apresentado por Laci que atesta que ele sofre de epilepsia.

 

No próximo dia 30, o sargento será convocado pela Justiça Militar, ocasião em que será lida a sentença que o condenou. A partir daí, a defesa terá cinco dias para recorrer da sentença. Araújo acusa o Exército de “perseguição homofóbica”.

 

 

Caso

 

 

Laci de Araújo disse a época, em maio, que mantém um relacionamento de mais de 10 anos com o então colega de Exército Fernando Alcântara. No mesmo mês, ambos acabaram presos. Alcântara cumpriu processo administrativo por aparecer na TV com o uniforme alterado. Ele deixou o Exército em seguida, se livrando de outras punições disciplinares.

 

Já o sargento Laci Araújo ficou preso durante 57 dias em um quartel de Brasília, sendo libertado por força de um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele nega que seja desertor. Laci alega que não voltou ao trabalho porque estava com problemas de saúde.

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Última Atualiza��o ( 26 de setembro de 2008 )

Os novos caveir�es da PM do Rio de Janeiro

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(novo caveirão, razoavelmente eficiente, mas ainda uma mera adaptação)
 

O Rio de Janeiro adquiriu novos caveirões para a Polícia Militar e Polícia Civil. São sete veículos blindados para a Polícia Militar e dois para Polícia Civil, a um custo de R$ 3.627.990, fabricados pela MIB Blindados.

Cada viatura blindada de transporte de tropa leva até 20 policiais e suporta o peso total de até 15 toneladas. Sua blindagem é nível III, capaz de suportar disparos de armas calibre ponto 30. Possui chassi Ford 1722, motor de seis cilindros com 180 cavalos, câmbio manual de seis marchas e ré, torre de ação prolongada com seteiras para vários tipos de armamentos e pestana para proteção dos vidros dianteiros do motorista.

Entre as especificações técnicas, o blindado tem ainda vidros com 56 milímetros de espessura, limpa-trilho, isolamento térmico em poliuretano, ar condicionado de 80 mil btu’s, pára-choques dianteiro e traseiro com porta-cambão utilizado em resgate, maca com protetor de pescoço, quatro extintores e sirene com megafone. Fonte: SESEG

É interessante porém, verificar a crítica de Vinícius Cavalcanti, com referência ao atual modelo de veículo blindado, que não passa em verdade de uma mera adaptação de veículos de transporte de valores.




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Última Atualiza��o ( 26 de setembro de 2008 )

Jobim confirma compra de quatro novos submarinos

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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que o reequipamento das Forças Armadas será submetido às diretrizes do Plano Estratégico de Defesa, cuja divulgação foi adiada no último dia 7. Em visita a um dos cenários da Operação Atlântico, exercício combinado que envolve Marinha, Exército e Aeronáutica no litoral do Sudeste, o ministro confirmou que a aquisição de quatro novos submarinos convencionais até atingir o nuclear é a prioridade para aperfeiçoar o controle da Marinha sobre as áreas de exploração de petróleo na costa, como as da camada pré-sal. Segundo ele, o governo já decidiu trocar a tecnologia alemã pela francesa.

Jobim também indicou entre as prioridades a compra de novas embarcações para a Marinha - a Força quer dobrar a frota de 27 navios-patrulha -, mas destacou que a decisão será tomada levando em conta as definições do governo. Ele disse que o plano estratégico indicará a destinação das Forças Armadas e, a partir daí, os comandantes estabelecerão os meios que precisam para cumprir o papel.

"Os militares determinam as probabilidades estratégicas das ações definidas pelo poder civil. O equipamento não é uma antecedência da questão. É uma conseqüência da decisão política do poder civil", afirmou Jobim, depois de observar o exercício protagonizado por agentes especiais das três Forças e a manobra de navios de guerra na praia de Itaoca (ES).

O ministro informou que o Brasil já decidiu firmar acordo bilateral com a França para a transferência de tecnologia para construir no Brasil quatro submarinos com dimensões maiores do que os cinco convencionais da atual frota. A intenção é chegar a um casco compatível com o projeto do submarino nuclear.

Segundo Jobim, o acordo será assinado em dezembro pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, durante visita do francês ao País. Isso pode ajudar o Brasil em sua campanha por uma vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A França, membro permanente do órgão, tem proposta para reformá-lo.

Fonte: Agência Estado

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Marinha cria �rg�o para submarino nuclear

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O Comando da Marinha criou, por meio de portaria publicada hoje no Diário Oficial da União, a coordenadoria-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (Cogesn). O objetivo da coordenadoria é gerenciar o projeto e a construção do estaleiro e do submarino. O Almirante-de-Esquadra José Alberto Accioly Fragelli foi designado coordenador-geral.

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O PT e o golpe do Pr�-Sal

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A camada do pré-sal já foi manchete, polêmica e até bandeira da próxima campanha presidencial. Apesar dos bilhões de barris de petróleo alardeados pelo governo, que estão supostamente encobertos por espessas camadas de sal abaixo do leito do mar brasileiro, muito do que se falou até hoje são meras conjecturas. O que realmente significa o pré-sal para o (povão deste ) país? Como essa riqueza será explorada (pelo PT)? Quais são as garantias de que a extração de petróleo nessas áreas é um bom investimento? Essas e outras respostas irão ajudar você a entender a questão (e como o PT pretende alugar o povão para as eleições de 2010).


1. O que é a camada do pré-sal e onde ela está situada?


É uma porção do subsolo que se encontra sob uma camada de sal situada alguns quilômetros abaixo do leito do mar. Acredita-se (o que não confirma nada) que a camada do pré-sal, formada há 150 milhões de anos, possui grandes reservatórios de óleo leve (de 28º API – óleo de melhor qualidade e que produz petróleo mais fino). De acordo com os resultados obtidos através de perfurações de poços, as rochas do pré-sal se estendem por 800 quilômetros do litoral brasileiro, desde Santa Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir até 200 quilômetros de largura.

2. Qual é o potencial da exploração de pré-sal no Brasil?

Estima-se (pois não há estudo conclusivo) que a camada do pré-sal guarde o equivalente a cerca de 100 bilhões de boe (medida que inclui óleo e gás). O número supera (ria) em mais de cinco vezes as reservas atuais do país, da ordem de 12 a 14 bilhões de boe. Só no campo de Tupi (porção fluminense da Bacia de Santos), de acordo com análises de testes de formação, estima-se (sem nenhuma comprovação) que haja entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, isto é, o suficiente para elevar as reservas de petróleo e gás da Petrobras em 40% a 60%. Soma-se a isso o fato de que a Petrobras é uma das empresas pioneiras no tipo de perfuração exigida para essa extração.


3. Quanto representa esse potencial em nível mundial?

Caso a expectativa seja confirmada (por enquanto é só estimativa, sonhos), o Brasil ficaria entre os seis países que possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás somente de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes. (E se não se confirmar, quem estaria sendo enganado?)


4. Como o Brasil vai explorar essa riqueza?

A grande polêmica está justamente na tecnologia que será necessária para a extração. Ainda não se sabe, por exemplo, o que será preciso para retirar o óleo de camadas tão profundas e muito menos se o país dispõe desses recursos. Tupi, por exemplo, a parte que realmente interessa na área do pré-sal, encontra-se a 300 quilômetros do litoral, a uma profundidade de 7.000 metros e sob 2.000 metros de sal. É de lá e dos blocos contíguos que o governo espera que vá jorrar aproximados 50 bilhões de barris de petróleo. Além disso, não se sabe se a real quantidade de petróleo no pré-sal irá compensar os custos tecnológicos.

5. Quanto deverá custar o projeto?


Devido à falta de informações sobre os campos (ou seja, tudo suposição para enganar o público), ainda é muito cedo (ou seja, vote no PT acreditando nesse sonho e o PT vai te dizer depois de reeleito em 2010 se as informações se confirmaram) para se ter uma estimativa concreta de custos. No entanto, alguns estudos já dão uma idéia do tamanho do desafio. Uma pesquisa elaborada pelo banco USB Pactual, por exemplo, diz que seriam necessários 600 bilhões de dólares (45% do produto interno bruto brasileiro, ou seja, mixaria) para extrair os 50 bilhões de barris estimados para os blocos de exploração de Tupi, Júpiter e Pão de Açúcar (apenas 13% da área do pré-sal). A Petrobras já é mais modesta em suas previsões. Para a companhia, o custo até se aproxima dos 600 bilhões de dólares, mas engloba as seis áreas já licitadas em que é a operadora: Tupi e Iara, Bem-Te-Vi, Carioca e Guará, Parati, Júpiter e Carambá.

6. Há alguma garantia que justifique o investimento?


Ainda não existe na área do pré-sal uma única gota de petróleo que possa ser classificada como “reserva provada”, ou seja, quantidade de petróleo de cuja existência se tem certeza e que seja passível de extração. O que se encontrou até agora foram (só) indícios em diferentes pontos do litoral. Já foram perfurados poços das três bacias que compreendem o pré-sal: a do Espírito Santo (ES), a e Campos (RJ) e a de Santos (RJ, SP, PR e SC). E o PT sonha em colocar 600 B-I-L-H-Õ-E-S DE DÓLARES (quase metade do PIB) em indícios. Faz sentido quando isto pode ajudar nas eleições de 2010. Depois desta data fica mais fácil dizer que os tais INDÍCIOS não se comprovaram, mas o PT foi reeleito.

7. Quando haverá uma perspectiva mais concreta?

A Petrobras e seus sócios internacionais agendaram para março de 2009 o primeiro Teste de Longa Duração (TLD) no campo de Tupi, a grande aposta do país no pré-sal. A partir de então (de 2009?), a previsão é de que o campo produza 30.000 barris diários de petróleo. E o que impede o PT de ficar "cozinhando o galo" já que o teste seria de LONGA DURAÇÃO, até resolver o problema da reeleição?


8. Quais são os riscos desse investimento?

Fora o risco de não haver os alardeados bilhões de barris de petróleo no pré-sal, a Petrobras ainda poderá enfrentar outros problemas. Existe a chance de a rocha-reservatório, que armazena o petróleo e os gás em seus poros, não se prestar à produção em larga escala a longo prazo com a tecnologia existente hoje. Como a rocha geradora de petróleo em Tupi possui uma formação heterogênea, talvez também sejam necessárias tecnologias distintas em cada parte do campo. Além disso, há (outros problemas que a sofisticada tecnologia da "pioneira" Petrobrás não domina) o receio de que a alta concentração de dióxido de carbono presente no petróleo do local possa danificar as instalações.

9. Onde será usado o dinheiro obtido com a exploração?

Uma das principais promessas do governo com relação ao pré-sal é de que irá aplicar seus dividendos na área da Educação (mas a CPMF não tinha sido criada para salvar a Saúde?). Mas já se falou de tudo, desde usar o dinheiro no combate à miséria até para a construção de um submarino nuclear. Os lucros com a exploração, no entanto, não devem vir antes de 2014 (o importante é cozinhar o eleitor fazendo-o crer que o governo do PT "continua" ético).

10. O que acontecerá com os contratos de concessão do local já licitados e assinados?

Embora tenha inicialmente se falado na desapropriação de blocos já licitados na camada do pré-sal, o governo já anunciou que serão garantidos os resultados dos leilões anteriores e honrados os contratos firmados (para manter os empresários do setor satisfeitos) e sob controle. Porém, não haverá mais concessão de novos blocos à iniciativa privada ou a Petrobrás na área do pré-sal. Ao invés disso, será adotado o regime de partilha de produção, com a criação de uma empresa estatal, mas não operacional, para gerir os contratos de exploração.


11. O que é unitização (é a garantia de que o governo petista não perderia nenhum gota de petróleo) e por que isso está sendo cogitado?

A unitização é um acordo de gerenciamento compartilhado entre as concessionárias de diferentes áreas em casos de as reservas de dois ou mais blocos serem ligadas, em decorrência de uma maior extensão dos reservatórios para além dos limites licitados pela ANP. Esse recurso, previsto em lei, foi trazido à tona, pois ainda não se sabe se na área de 14 mil quilômetros quadrados já concedida, onde estão os blocos de Tupi, Júpiter e Carioca, entre outros, existe apenas um campo gigantesco e contínuo de petróleo. Nesse caso, a União terá direito a parte da exploração, pois as áreas limítrofes a esses blocos ainda não.

Colaboração de Walmor Grade

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Medvedev modernizar� as For�as Armadas da R�ssia

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O presidente da Rússia Dmitri Medvedev afirmou dia 25 de setembro que levará adiante o processo da modernização das Forças Armadas do país.

“Há que levar adiante o processo e ao mesmo tempo , respeitar as tradições, disse o presidente na reunião com os tripulantes do submarino nuclear estratégico lança-mísseis “São Jorge o Vitorioso” no âmbito da sua visita a uma base de submarinos da Frota do Pacífico, situada na península de Kamtchatka ( Oriente russo), informa Ria Novosti.

 

Comentando as prioridades desse processo , Medvedev destacou que se trata de “modernizar as próprias Forças Armadas” no plano de melhorar sua dotação com armamento moderno, assim como de “elevar o estatuto do militar”, conceito que inclui sua retribuição , adjudicação de moradias e serviços sociais (algo que todo estadista, ao pensar em obter militares com foco - coração e mente - na carreira, deveria fazer...).

 

Perguntando sobre possíveis efeitos negativos da crise financeira nos programas de desenvolvimento das Forças Armadas , o presidente assegurou que o país “continuará construir novos submarinos “, apesar de qualquer crise , pois dispõe de meios e recursos” para isso.

 

O submarino nuclear “São Jorge o Vitorioso”, visitado pelo presidente Medvedev, entrou em operação em 1980. Tem 197 tripulantes e está equipado de mísseis e torpedos que lhe permitem cumprir missões estratégicas.

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Última Atualiza��o ( 25 de setembro de 2008 )

Humor: Entre a realidade e os discursos

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Certa feita um estrategista estrangeiro me questionou sobre o que faríamos em caso de invasão de território (quer por guerilheiros, quer por grandes potências). Não tive dúvida,  revelei-lhe nossa arma secreta: Vamos colocar o Lula e o Jobim a fazer discursos ao inimigo. Ou morrem de tédio, ou morrem de rir...

 

 

 

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Última Atualiza��o ( 01 de outubro de 2008 )

Fracasso: Os EUA e o Controle das Informa��es no Iraque

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FOTOS: Dois soldados da 3ª Brigada de Combate, da 1ª Divisão de Cavalaria falam com manifestantes num ponto de controle da Zona Internacional na parte central de Bagdá, 17 de novembro de 2004


Dra. Cora Sol Goldstein


A ocupação americana da Alemanha (1945-1949) permanece como um exercício modelo de democratização à força. De fato, personalidades proeminentes da administração Bush, incluindo a Secretária de Estado Condolezza Rice e o antigo Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, compararam a experiência americana na Alemanha pós-guerra com o Iraque pós-guerra. Este artigo examina a política de controle das informações americana na Alemanha e no Iraque (2003-2006). A análise comparativa indica que a política de controle das informações foi muito diferente nos dois casos. Na Alemanha, o Exército dos EUA e o Gabinete do Governo Militar dos EUA (OMGUS - sigla em inglês) exerciam rigoroso controle sobre a mídia para bloquear a propaganda nazista e introduzir a agenda política americana de democratização.1 Com a emergência da Guerra Fria, o OMGUS usou todas as formas de comunicação em massa — periódicos de assuntos culturais, revistas, filmes de longa metragem e documentários, posters e emissoras de rádio — para disseminar propaganda e mensagens estratégicas dos EUA ao povo alemão. Conseqüentemente, de 1945 a 1949 os americanos foram capazes de moldar o conteúdo das informações na zona e setor americanos. No Iraque, as forças da coalizão fracassaram em exercer a mesma forma de controle de informações. Como resultado desse erro estratégico, a insurgência e outros movimentos que se opuseram à presença americana têm estado aptos a controlar as informações e disseminar mensagens antiamericanas.

O Caso Alemão

Durante a II Guerra Mundial, a guerra psicológica formou uma parte importante da estratégia militar contra o Terceiro Reich. Assim que o Exército dos EUA entrou na Alemanha, especialistas americanos da guerra psicológica difundiram propaganda para convencer o povo alemão da irreversibilidade de sua derrota e para persuadi-los a cooperarem. Ao mesmo tempo, o Exército dos EUA fechou periódicos, revistas, emissoras de rádio alemãs na zona e setor norte-americano para assegurar o monopólio das informações e propaganda. Como resultado, a informação recebida pelos alemães nas áreas norte-americanas proveio exclusivamente da distribuição de folhetos de propaganda norte-americanos (Mitteilungblätter), de periódicos publicados pelo Exército e da Rádio Luxemburgo.

Depois do dia da vitória na Europa, 12 de maio de 1945, a Divisão de Guerra Psicológica do Quartel-General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas (PWD/SHAEF) foi convertida na Divisão de Controle de Informações (ICD) na Alemanha. O chefe da PWD/SHAEF, General Robert C. McClure, comandou uma organização nova e manteve a maioria do pessoal da PWD/SHAEF.2 No princípio, a ICD foi independente do governo militar, mas em fevereiro de 1946, foi totalmente integrada à OMGUS.

No início, a ICD concentrou a maior parte de sua atenção na desnazificação da mídia. A ICD excluiu jornais alemães que foram considerados como politicamente contaminados pelos seus antecedentes favoráveis a Hitler e proibiu a difusão de mensagens nazistas, militaristas ou nacionalistas que poderiam incitar simpatias pelos nazistas e fomentar a resistência contra o projeto norte-americano. Enquanto esse projeto de verificação estava ocorrendo, o ICD começou a selecionar e conceder licenças para editores alemães começarem a operar periódicos e revistas. Tiveram êxito na seleção de um grupo político e ideologicamente heterogêneo. Já em meados de 1946, a ICD tinha concedido licenças para operação de periódicos para 73 alemães, incluindo 29 sociais democratas, 17 democratas cristãos e cinco comunistas.3 Dessa forma, enquanto o OMGUS impunha uma rígida censura pública e ideológica contra a difusão de mensagens nazistas, nacionalistas e militares, pretendia também estabelecer um nível de diversidade política e permitia o desenvolvimento de uma variedade de opiniões políticas.4

Embora os editores que receberam licenças pela ICD tivessem se comprometido a criar uma Alemanha nova e democrática, a divisão manteve um assíduo controle de suas edições. Inicialmente, submetia os artigos a uma censura pré-publicação, mas em agosto de 1945, mudaram para um exame detalhado pós-publicação.5 Embora os editores alemães estivessem livres para administrar suas próprias operações, sempre havia a possibilidade de censuras pós-publicação que poderiam levar à revogação de suas licenças. Dessa forma, o ICD definia e vigiava os limites do que era aceitável e desejoso para o âmbito político e cultural, dessa forma, monitorou e regulou as informações que chegavam aos alemães na zona e setor norte-americanos.

Durante os primeiros anos da ocupação, a política da imprensa norte-americana na Alemanha ocupada refletia as ideologias dos oficiais do ICD responsáveis em vigiar a imprensa. Grande parte dos oficiais era acadêmica que havia vivida na Alemanha anteriormente. Uma grande parte era adepta das políticas econômicas radicais do Presidente Roosevelt (New Dealers), intelectuais, emigrantes, judeus e esquerdistas entusiasmados com a possibilidade de ajudar a formar uma sociedade democrática pluralista das cinzas do nazismo.6 Em Berlim, a maioria dos oficiais da ICD era formada por emigrantes alemães.7 Dessa forma, a grande parte dos oficiais da ICD falava alemão, tinha conhecimento sobre a cultura alemã e entendia a sociedade e história alemã. Em 1945, esses oficiais que vigiavam a imprensa se entusiasmaram com a colaboração da esquerda alemã, considerando-a como parte do processo de criar uma imprensa e cultura democrática.

Com a Guerra Fria, a política de imprensa da OMGUS mudou. A Alemanha ocupada se converteu na primeira frente da guerra psicológica entre os EUA e a URSS. Depois de 1946, a possibilidade da Alemanha se tornar independente e unida desapareceu rapidamente. Tanto os norte-americanos como os soviéticos começaram a usar novos meios de comunicação em suas zonas e respectivos setores para atacar um ao outro e a difundir sua propaganda. Em março de 1946, por exemplo, o OMGUS obrigou o Neue Zeitung, o periódico mais importante da zona americana, a adotar uma nova postura editorial que correspondesse à política estrangeira dos EUA. O Neue Zeitung chegou a ser o porta-voz que permitiu à OMGUS neutralizar a propaganda soviética na Alemanha ocupada.8

Nos princípios de 1947, o pessoal tinha mudado e os originais oficiais encarregados de vigiar a imprensa foram substituídos pelos guerreiros da Guerra Fria.9 Como resultado, a maior parte das publicações que não seguiram as diretrizes anti-comunistas da OMGUS foi desativada ou seus editores foram substituídos.10 Em agosto de 1947, Emil Carlebach, um comunista que sobreviveu como prisioneiro no campo de concentração em Buchenwald e que lhe fora dado a licença da publicação do Frankfurter Rundschau em 1945, foi despedido.11 Der Ruf, uma revista popular de política e cultura, foi fechada porque o ICD a considerou pró-comunista, embora o contraparte soviética da OMGUS já a tivesse denunciado.12 Em outubro do mesmo ano, o General Lucius D. Clay, o governador militar norte-americano, lançou a Operação Talk Back, uma medida de contra-propaganda planejada para usar a mídia alemã na zona e setor americanos com o objetivo de responder e combater a propaganda soviética anti-americana. Estritos critérios foram impostos à imprensa alemã, equivalente aos critérios que prevaleciam na zona e setor soviéticos.

O Caso do Iraque

A campanha de guerra psicológica da Operação Iraqi Freedom (OIF) teve êxito porque a mesma convenceu o Exército do Iraque a não mais resistir. Isso permitiu que as Forças Armadas dos EUA tomassem posse de Bagdá com um número limitado de tropas. Sem dúvida, ao contrário do caso alemão, as forças da coalizão não continuaram com a sua agenda de guerra psicológica depois da queda do regime de Saddam Hussein. Também não instituíram nenhum programa lógico de grande escala para o controle de informação no Iraque; ao contrário, o Departamento de Defesa anteviu a criação de um “Time de Reação Rápida de Mídia” para administrar o desmantelamento dos meios de comunicação estatais do Iraque e estabelecer uma rede de “Meios de Comunicação Independentes do Iraque” financiada e dirigida pelos EUA. Essa nova rede controlada pelos norte-americanos tinha como objetivo servir como um veículo de propaganda do Pentágono para o Iraque.13

Saddam Hussein tinha compreendido a importância de controle da informação e a manipulação dos meios de comunicação. Em 1968, depois que se converteu no chefe da segurança interna, foi permitido aos iraquianos terem acesso somente aos periódicos publicados pelo governo. Quando assumiu a presidência em 1979, o Ministro das Informações do Iraque começou a nomear todos os jornalistas da nação (os quais tinham que pertencer ao Partido Baatista) e os insultos ao presidente chegaram a ser considerados uma ofensa com a punição de morte. Um dos filhos de Saddam, Uday, se converteu no chefe da União dos Jornalistas e exerceu controle sobre uma dúzia de periódicos, incluindo Al-Thaura (A Revolução), Babil e Al-Jamorriya (A República). Todos os dias esses periódicos publicavam fotos de Saddam Hussein na primeira página. Uday também esteve encarregado de muitas emissoras de televisão e rádio. Em 2003, existiam 13 emissoras de televisão e 74 de rádio, todas sob o controle estatal.14 O governo era o único provedor da internet e acesso a mesma era disponível em cybercafés rigorosamente controlados pela polícia de segurança. Era proibido ter antenas parabólicas, embora aqueles de maior hierarquia no regime tivessem acesso a notícias transmitidas por satélites.15

Uma vez que Saddam foi derrubado, o número de publicações subiu rapidamente para mais de 200. Com as forças da coalizão falhando em fechar ou controlar a imprensa iraquiana, todos os que tinham acesso a um tipo de imprensa começaram a publicar. Grande parte dos periódicos e revistas que surgiram em 2003 enfrentou dificuldades financeiras e muitos desses desapareceram pouco tempo depois, mas segundo os cálculos da BBC (British Broadcasting Corporation), ainda existem 50 jornais diários publicados no Iraque sendo que 12 deles estão em Bagdá.16 Infelizmente, os grupos que se opunham à coalizão aproveitaram-se rapidamente desse espontâneo aumento dos meios de comunicação e da falta de uma política sólida de controle das informações por parte dos norte-americanos.

A imprensa iraquiana chegou a ser altamente diversificada à medida que cada grupo de pressão política abria sua própria agência divulgadora de notícias. Saad al-Bazzaz, um jornalista exilado, começou a publicar no ano 1992 a edição de Bagdá do Al-Zaman, um periódico que ele fundou sediado em Londres.17 A família real saudita começou a publicar uma edição iraquiana do Al-Sharq al Awsat em Londres, seu instrumento principal de publicidade no Ocidente. Sócios do antigo primeiro-ministro Ahmad Chalabi publicaram o Al-Mutamar. Atualmente, o Supremo Conselho para a Revolução Islâmica no Iraque, o maior grupo político xiita no país, publica o Al-Adalah, o Al-Fater e o Ida Rafideen. O Al-Bayan é o periódico do partido Dawa, o partido xiita do Primeiro-Ministro Nouri al-Maliki e seu predecessor Ibrahim al-Jaafari. Outros periódicos importantes são o Al-Mada com tendências esquerdistas e o Al-Sabah al-Jadid, fundado pelo ex-editor chefe de Al-Sabah, Ismael Zayer (que renunciou a seu cargo no Al-Sabah em maio de 2004 para protestar contra a censura e interferência editorial norte-americana.18) Uma única revista satírica, a Habaz Booz, é publicada em Bagdá.

Nesse contexto, as políticas da mídia formuladas pela Autoridade Provisional da Coalizão (CPA-sigla em inglês) e pelo Pentágono foram ineficazes. A des-baatificação da imprensa iraquiana incentivou sentimentos antiamericanos.19 Sem dúvida, a CPA não substituiu o pessoal baatista por iraquianos desejosos de participar do desenvolvimento de uma democracia liberal para seu país, nem censurou a propaganda antiliberal ou antiamericana. Em julho de 2003, o chefe da CPA Paul Bremer III afirmou publicamente que a coalizão não estava impondo limites na liberdade de expressão no Iraque. O porta-voz da coalizão Charles Heatley ecoou as palavras de Bremer. A idéia geral era que a difusão da mensagem da “verdade” americana, por si mesma, prevaleceria sobre mensagens de alternativas políticas no Iraque pós-Saddam.

A CPA, de vez em quando, exercia medidas de controle sobre a propaganda radical antiamericana. Por exemplo, fechou o Al-Mustiquilla, um periódico que publicou um artigo advogando a execução de todos os iraquianos que colaboraram com a coalizão.20

Em março de 2004, a CPA impediu por 60 dias a publicação do periódico Al-Hawsa, um semanário radical xiita com sede em Bagdá, alegando que seus editores incitavam atos de violência contra a ocupação.21 As forças da coalizão invadiram um centro de distribuição do periódico Sadda-al-Auma em Najaf, se apossando de cópias de uma edição que estimulava iraquianos a se integrarem na resistência. Sem dúvida, os freqüentes esforços da CPA para controlar os novos meios de imprensa iraquianos foram inúteis. Poucos dias depois de levar a cabo a invasão do Sadda-al-Auma, o periódico era publicado novamente, pedindo aos seus leitores que se integrassem ao movimento de resistência de Ramadi, difundindo também sua propaganda anti-semita, anti-ocidental e anti-feminina.22 No final, nos raros casos em que os meios de comunicação foram submetidos a censura pós-publicação o resultado foi um ineficaz programa de controle de informações.

Embora o seu desempenho possa sugerir o contrário, o Pentágono realmente formulou uma diretriz para a propaganda no Iraque. O apêndice 2 do Guia de Assuntos Públicos da Força-Tarefa Combinada 7 (CJTF-7) delimita os “temas atuais” para a imprensa iraquiana em três partes: “positiva” para ser estimulada e divulgada, “negativa” para ser refutada ou evitada e “duvidosa ou manipulável, para ser neutralizada. A primeira parte tinha como objetivo desenvolver o apoio “do povo do Iraque e para o povo do Iraque”; para enfatizar o progresso e a segurança, particularmente em Bagdá, e para destacar “a participação dos iraquianos” nos esforços de reconstrução de seu país. A mensagem positiva incluiria indicadores de melhoramentos na vida cotidiana, tais como a normalização do fornecimento de energia elétrica, a construção de novas escolas e de hospitais, assim como um melhor nível de segurança. A segunda parte ou “assuntos negativos” trataria de assuntos como “o mau trato de iraquianos detidos”, o “ressurgimento da resistência, desrespeito à lei, instabilidade e o vácuo do poder”; a “vulnerabilidade da infra-estrutura”; e “a demora no estabelecimento de estruturas políticas.” A última parte responderia a “falta de descobertas” de armas de destruição de massa, os problemas em encontrar Saddam e o processo de de-baatificação.23

O aspecto mais surpreendente e original da política norte-americana sobre a propaganda na Operação Iraqi Freedom tem sido a dependência por parte do Pentágono de usar terceirizados para difundir suas mensagens estratégicas ao povo do Iraque. Em vez de formar uma força-tarefa composta de especialistas em guerra psicológica das Forças Armadas dos EUA, da comunidade de inteligência e do mundo acadêmico, o Governo dos EUA pediu a companhias privadas sem experiência no Oriente Médio para levaram a cabo essa tarefa.24 O Departamento de Defesa confundiu um problema político — ou seja, de como transformar radicalmente uma sociedade que saiu de uma ditadura brutal e que está entrando rapidamente no fundamentalismo religioso — com um assunto de marketing. Tentaram convencer o povo iraquiano da visão americana do futuro como se a mesma fosse um produto de consumo.

Em 2003, a Divisão de Operações Especiais e de Conflitos de Baixa Intensidade do Pentágono, a qual se especializa em operações de guerra psicológica, concedeu um contrato exclusivo à Science Applications International Corporation (SAIC) no valor de US$ 82.3 milhões para estabelecer a Iraqi Media Network (Rede de Mídia do Iraque) (IMN). Quando a IMN começou a publicar o periódico Al-Sabah (Amanhã), já existiam 20 a 30 novos periódicos independentes.25 Al-Sabah chegou a ser simplesmente um periódico entre muitos, e os norte-americanos nunca foram capazes de monopolizar a informação no Iraque.

A IMN ainda enfrentou mais dificuldades com a televisão. O estabelecimento da Al-Iraquiya, a rede de televisão financiada pelos USA, foi um pesadelo. Desde o início, a desorganização, falta de planejamento, falta de pessoal e um orçamento inadequado atrasaram o projeto. Além disso, a instalação física da rede foi sistematicamente destruída por vândalos e mais tarde, no verão de 2003, foi explodida por insurgentes. Quando finalmente começou a funcionar, a Al-Araqiya fracassou em atrair o público do Iraque porque evitava as notícias iraquianas. Por exemplo, a rede transmitia programas de cozinha em vez de cobrir a violência política no país.26

Como as forças da coalizão não fizeram nada para impedir a instalação de antenas parabólicas que brotaram como cogumelos por todas as partes do Iraque, espectadores iraquianos ganharam acesso a múltiplas fontes de informação. Podiam ver um número incontável de programas de notícias antiamericanas transmitidos por emissoras de televisão no Oriente Médio. Não é surpreendente que depois da invasão 63% dos iraquianos que tinham acesso a antenas parabólicas assistiam a Al-Jazeera e Al-Arabiya, emissoras de televisão que oferecem programação de notícias com propaganda antiamericana e anti-semita.27 Apenas cerca de 12% dos iraquianos assistem com regularidade as notícias apresentadas pela Al-Iraqiya.28

A televisão por satélite se converteu numa parte integral do púlpito eletrônico dos jihadistas. A Al-Zawraa, uma emissora de televisão por satélite no Iraque, provou ser uma das armas mais eficazes do Exército Islâmico do Iraque, um principal grupo de resistência sunita no qual supostamente inclui membros do Partido Baath.29

A Al-Zawraa emite filmagem contínua da guerra sunita contra os EUA e a milícia xiita de Muqtada al-Sadr. Apresenta com regularidade videoclipes que mostram militantes planejando ataques contra unidades norte-americanas, franco-atiradores ou explosivos improvisados para emprego contra soldados da coalizão e operações contra objetivos xiitas. Os programas desta emissora são transmitidos pelo mundo árabe por meio da Nilesat, um provedor de serviços de satélite que é controlado pelo governo egípcio. Al-Zawraa anunciou que pretende difundir seus programas por meio de satélites europeus; com o transcorrer do tempo, querem chegar aos espectadores norte-americanos.30

A coalizão também está perdendo a guerra estratégica de propaganda no ciberespaço. Grupos terroristas usam a internet de alta velocidade, software pirata de editação de vídeos e sítios cibernéticos que permitem carregar arquivos gratuitamente para difundir seus produtos. Abu Maysara, o chefe de mídia de Abu Musab al-Zarcaui, o falecido líder da Al Qaeda no Iraque, gravou o vídeo da decapitação de Nicholas Berg, um refém norte-americano, e colocou o vídeo online. A internet também é importante como um mecanismo para o ensino de habilidades práticas de resistência, tais como a construção de foguetes, bombas e armas químicas.31

 Sample Image

Iraquianos observam a transmissão de uma mensagem gravada supostamente do líder deposto Saddam Hussein emitida por Al-Arabiaya com sede em Dubai, 17 de julho de 2003.

 

O Pentágono, apesar do fracasso por parte da SAIC, continuou seguindo sua política de terceirização, pedindo para companhias privadas assumirem tarefas da mídia. Em janeiro de 2004, em vez de renovar o contrato com a SAIC, o concedeu a Harris Corporation, uma companhia que fabrica equipamento de teledifusão sem experiência em guerra psicológica ou no Oriente Médio. A Harris Corporation logo subempreitou suas operações de televisão à Corporação Libanesa Internacional de Rádiodifusão, uma empresa de telecomunicações com sede no Kuwait, mas encarregou-se da Al-Iraquiyah e Al-Sabah. No período de um mês, a CPA mudou o nome da Rede de Mídia do Iraque para a Rede do Iraque. O Departamento de Defesa também contratou os serviços da J. Walter Thompson, uma importante agência publicitária localizada na Avenida Madison na cidade de Nova Iorque, para “convencer os iraquianos que o IMN ou o Iraqia eram confiáveis”.32 Talvez não surpreendentemente, J. Walter Thompson não se especializa em guerra psicológica ou no Oriente Médio; seus clientes principais são Dominos, Diamond Trading Company, Ford, Cadbury Schweppes, HSBC, Kimberly-Clark, Kellogg’s, Kraft, Nestlé, Pfizer, Rolex, Diageo, Unilever e Vodofone.

Também em 2004, a administração Bush instruiu a Diretoria de Transmissão dos EUA — os produtores da Voz da América — que contra-atacasse o impacto que a Al-Jazeera tem no Oriente Médio. A diretoria lançou a emissora de televisão à satélite Alhurra (A Livre), a Rádio Sawa (Juntos) e a revista Hi. A Alhurra, tomando como modelo uma emissora convencional norte-americana que apresenta programas de cozinha, moda, geografia, tecnologia, documentários e notícias. Embora a Alhurra com um orçamento de US$ 100 milhões esteja inundada de fundos e transmita seus programas na Jordânia, Egito e no Iraque, provou ser um fracasso. Os iraquianos associam a estação com os EUA e rejeitam o seu conteúdo, especialmente na sua cobertura informativa. Pesquisas de opinião pública indicam que os iraquianos ressentem a carência de discussões sobre os temas relativos à situação no Iraque, no mundo árabe e no Oriente Médio.33 A rádio Sawa não tem obtido muito progresso com a programação combinada de música popular norte-americana e do Oriente Médio e a sua escassa cobertura de notícias.

A televisão e o rádio não foram os únicos setores onde erros foram cometidos. Em 30 de janeiro de 2005, o Iraque realizou eleições para a Assembléia Nacional Transacional. O Presidente Bush pronunciou como uma vitória à autodeterminação iraquiana, destacando durante um discurso especial perante a nação que: “Hoje no Iraque, homens e mulheres tomaram controle legal do destino de seu país, e escolheram um futuro de liberdade e paz”.34 Ao se passarem dez meses, em novembro de 2005, o jornal Los Angeles Times informou que as Forças Armadas dos EUA pagaram secretamente a periódicos iraquianos para que publicassem artigos em favor da coalizão. Este programa havia começado no início de 2005, no momento que se celebravam as eleições, como uma operação de propaganda velada para influenciar a opinião pública iraquiana. Segundo o Times, os artigos “eram elaborados basicamente de uma forma objetiva”, mas omitiam a informação que poderia pôr os leitores contra os governos norte-americano e do Iraque. As histórias exaltavam a ocupação norte-americana, denunciavam a insurgência e elogiavam os esforços norte-americanos na região.35

Essas histórias eram produzidas pelo Lincoln Group, que tinha sido contratado como parte dos rápidos aumentos dos esforços da campanha de informações norte-americana em 2004. Essa corporação recém-fundada foi posta em vigência por um grupo de investidores de uma companhia com sede em Washington D.C., a Lincoln Alliance Corporation. A Lincoln Alliance, sendo uma filial da Lincoln Asset Management, se descreve como uma companhia que facilita “serviços de inteligência feitos sob medida.” A companhia declara que se especializa na coleta de informação de “diversas fontes internas e externas, tanto históricas como em tempo real”; uma “fusão” de análise de informação e divulgação de “resultados acionáveis.”36 A operação sigilosa do Lincoln Group provocou um escândalo no Iraque e minou ainda mais a credibilidade dos EUA na região. A imprensa norte-americana também reagiu de forma fervescente contra isso, apesar do fato de que as ações de propaganda negra do Lincoln Group, executadas de uma forma amadora, eram na verdade modestas na sua extensão.

Propaganda negra, a disseminação de notícias parciais ou falsas num país seleto sem indicar a sua origem é um estratagema clássico da guerra psicológica. É extraordinário que o Pentágono tenha escolhido confiar numa corporação privada sem experiência no campo quando a CIA tem antecedentes extensos na distribuição de propaganda negra no âmbito mundial — incluindo o Oriente Médio.37

Lições aprendidas com dificuldade

A administração Bush ignorou o modelo de controle das informações empregado pelos EUA na Alemanha no período de 1945-1949. As forças da coalizão não colocaram em vigor um controle rigoroso das informações depois de derrubar Saddam, ao mesmo tempo em que o Pentágono chegou a ser mais interessado em manipular a imprensa norte-americana do que regular a difusão de informação dentro do Iraque. Daniel Senor, o chefe do gabinete de relações públicas da CIA, não falava árabe e sua prioridade era “alimentar” a mídia americana com informações, freqüentemente por meio de jornalistas favoráveis às políticas da administração.38

É verdade que a revolução na tecnologia de comunicação tem feito o controle total das informações no Iraque virtualmente impossível. Entretanto, o Pentágono fracassou em avaliar e planejar a complexidade do desafio tecnológico. Os EUA estabeleceram uma ocupação militar mal equipada para neutralizar as armas de informações disponíveis ao inimigo no século XXI. Saddam Hussein tinha proibido a televisão à satélite e controlado o acesso publico à internet; os norte-americanos não fizeram o mesmo e, em conseqüência, não puderam negociar com a avalanche de propaganda antiamericana que se seguiu. Num período de dias depois da entrada norte-americana em Bagdá, antenas parabólicas surgiram por todas as partes, impossibilitando o controle das informações. Locais cibernéticos também foram criados por toda a parte, os quais os norte-americanos nunca puderam controlar.

Além disso, a propaganda positiva não pode ser efetiva quando a zona de objetivo não está controlada. Uma ocupação militar, para ter sucesso como um instrumento de mudança, deve ser capaz de criar um nível de estabilidade em lugares expostos às graves condições de uma turbulência social.39 O caso alemão exemplifica esse principio. Na Alemanha, o Exército dos EUA e OMGUS monopolizaram o uso da violência e impuseram e garantiram segurança. Isso permitia ao OMGUS e seus aliados alemães porem em vigência a reconstrução da infra-estrutura física dentro da zona e setor norte-americanos ao mesmo tempo em que colocavam em andamento uma revolução política, social e cultural. Os norte-americanos, em termos de controle das informações, bloquearam a difusão da propaganda vindo do antigo regime legalista e de grupos antagônicos com intenções de aproveitar o vazio político produzido pela transição. No Iraque, a Operação Iraqi Freedom provocou o desenvolvimento de uma insurgência militar, o terrorismo, a violência sectária e a desordem civil. Sem a segurança, os projetos de infra-estrutura atrasaram e a propaganda difundida pelos norte-americanos foi de eficácia mínima.

O caso do Iraque mostra quão importante é desenvolver uma apropriada hipótese de combate antes de começar um conflito militar que tem como objetivo fazer uma mudança de regime e ocupação. Em 1945, o OMGUS permitiu ao povo alemão ter um grau limitado de liberdade e exerceu um nível de controle político sem precedentes. A diretriz 1067 (JCS 1067) dos Chefes do Estado-Maior Conjunto (JEMC), a diretriz militar que orientou a formulação das políticas do OMGUS de 1945 até 1947, sem dúvida alguma explicitamente rejeitou a idéia de que os EUA libertaram a população de uma ditadura. Expressou que a Alemanha “não será ocupada com o propósito de libertação, mas como uma nação inimiga derrotada”. Segundo a JCS 1067, os alemães tinham que ser controlados e vigiados e suas atividades políticas, religiosas e culturais tinham que ser aprovadas pelas autoridades militares norte-americanas. A JCS foi muito clara: “Não se permitirá qualquer atividade política a menos que seja aprovada pelo JEMC...Vocês proibirão a propagação de qualquer doutrina nazista, militarista ou pan-alemã ...Não se permitirá aos alemães apresentar desfiles militares, políticos, civis ou esportivos”.40 A diretriz permitiu a liberdade de religião e expressão somente até o ponto que não comprometam os objetivos militares e políticos dos EUA.

O fracasso do Iraque é a conseqüência lógica de considerar a missão norte-americana uma libertação em vez de uma ocupação de um país inimigo. O objetivo da Operação Iraqi Freedom, segundo o Guia de Assuntos Públicos da Força-Tarefa Combinada 7, foi de “libertar o povo do Iraque do regime de Saddam Hussein”.41 A suposição básica foi que derrotar Saddam e suprimir ao Partido Baaz produziriam como conseqüência natural, automática e inexorável um Iraque democrático, liberal, secular e pró-americano. A idéia de converter a população iraquiana em adeptos da democracia de uma forma espontânea fez o Pentágono e o Departamento de Estado subestimar a importância do controle pós-guerra das informações e da propaganda.42

A democratização da mídia depois de uma mudança de regime radical é um projeto de longo prazo, exigindo o uso de métodos antidemocráticos de curto prazo. Mesmo em 1948, existia um nível de tensão entre o objetivo manifestado pelos norte-americanos de encorajar uma imprensa livre e a realidade autoritária da ocupação. O governo militar estava ciente dessa contradição básica, como demonstrado nesse relatório elaborado pelo OMGUS:

Os oficiais da imprensa principalmente se interessaram em impedir que os ex- jornalistas nazistas participassem na nova imprensa democrática alemã. Em 1945, quando a ocupação foi posta em marcha, garantir ao povo alemão uma imprensa independente e livre foi um dos objetivos da política do governo militar norte-americano. O governo militar previu o desenvolvimento de uma imprensa livre de qualquer denominação governamental. Sem dúvida, com ironia, o próprio governo militar considerou ser necessário o exercício de certos controles provisionais. Grande parta das instalações de imprensa dos periódicos estava nas mãos dos nazistas. Os editores, redatores e pessoal dos periódicos eram as mesmas pessoas que tinham executado as políticas do Ministério de Propaganda de Goebbel. Dessa forma, o governo militar colocou em vigor um sistema regulador para colocar os periódicos nas mãos de redatores dedicados a proporcionar ao povo alemão uma cobertura informativa imparcial.43

A democratização pelo uso da força é basicamente a fonte de paradoxos. Um governo militar envolvido na reconstrução de nações é, por definição, um regime autoritário envolvido num projeto de engenharia social. Sua intenção é de impor, por meio da força, novas normas sociais e outras séries de valores normativos. Portanto, as ações que tomam não são compatíveis com a idéia de democracia.

Carl J. Friedrich, que dirigiu a escola que treinou pessoal militar destinado a governos militares norte-americanos no estrangeiro e que mais tarde serviu como assessor de assuntos governamentais e constitucionais do General Clay (1947-1948), tentou resolver a contradição. Ele argumentou que o OMGUS era um “ditador constitucional que ajuda o restabelecimento da democracia constitucional em vez de impor a democracia”44 De acordo com Friedrich, o governo militar operado por uma democracia constitucional, distinto de uma ditadura convencional, progressivamente relaxa a repressão e se move em direção ao estabelecimento de um sistema condicional. Friedrich admitiu que o OMGUS censurava e reprimia, mas alega que o fez assim para impor limitações aos elementos e esforços antidemocráticos.

A CPA entendeu que a estrutura da democracia iraquiana exigia a imposição de limites estritos na saída de informações antidemocráticas. Sua defeituosa política de mídia produziu a aparição de uma variedade de fontes de informações como periódicos, revistas e emissoras de televisão com agendas autoritárias, religioso-fundamentalistas e antidemocráticas. Os periódicos iraquianos estão sendo financiados por partidos políticos e religiosos, e a informação que difundem com freqüência é incompleta, sem verificação e parcial.

A deterioração do status norte-americano em muitas partes do chamado “terceiro mundo” é uma conseqüência de graves fracassos na área de sua política externa: estratégia global e diplomacia pública.45 Se esses fracassos não forem examinados, é provável que os EUA empreenderão outras aventuras militares que produzirão ocupações com o objetivo de levar a cabo mudanças radicais. Portanto, a análise dos defeitos da política norte-americana de controle das informações no Iraque não é simplesmente uma questão de interesse histórico. Os EUA não podem se dar ao luxo de cometer mais erros nessa área-chave da guerra psicológica.MR

A Dra. Cora Sol Goldstein é professora auxiliar de ciência política da Universidade Federal da Califórnia, Long Beach, Califórnia. Recebeu seu Doutorado pela Universidade de Chicago em 2002. Seu livro, Psychological Warfare in Peacetime: American Visual Propaganda in Occupied Germany, será publicado na primavera de 2009. Em 2007, foi lhe conferido o prêmio Mary Parker Follet da Associação Norte-Americana de Ciência Política - Seção Política e História.

Também não instituíram nenhum programa lógico de grande escala para o controle das informações no Iraque...

O Departamento de Defesa tinha interpretado o problema equivocadamente...como um assunto de marketing.

AFP, Karim Sahib

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Última Atualiza��o ( 24 de setembro de 2008 )
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